Dor lombar é uma das queixas mais recorrentes quando pesquisadores acompanham populações de dança. Uma revisão sistemática que reuniu ballet, moderno e hip-hop encontrou prevalências altas, embora muito variáveis entre estudos. Outra revisão epidemiológica mostrou o mesmo problema: números mudam conforme definição, janela de tempo e população. A conclusão mais defensável é que bailarinos são vulneráveis a dor lombar, não que exista uma causa única própria da dança.
Ballet e outras técnicas exigem extensão, rotação, inclinação e controle do tronco em amplitudes que podem ser muito superiores às atividades cotidianas. Mas amplitude por si só não explica quem terá dor. Força, fadiga, técnica, volume, crescimento, recuperação e histórico de episódios anteriores também importam. A lombar participa de uma cadeia em que quadril, pelve e caixa torácica distribuem movimento. Quando um segmento muda, os outros reorganizam.
Essa complexidade explica por que correções visuais simples têm alcance limitado. Pedir 'encaixa a pelve' ou 'segura o abdômen' pode ajudar em determinado contexto, mas não funciona como tratamento universal. Dor persistente precisa de avaliação individual e não deve ser diagnosticada pela aparência do arabesque. Ao mesmo tempo, a presença de dor não significa automaticamente dano estrutural grave; intensidade, função e evolução ao longo do tempo são informações diferentes.
Para pedagogia, a melhor contribuição é criar espaço para variação e monitorar resposta. Progressões de extensão, trabalho de força do tronco, mobilidade de quadril e torácica e gestão de volume podem compor a preparação. Quando a dor aparece, observar quais movimentos a reproduzem e como o bailarino recupera oferece mais informação do que procurar um único culpado.

