Dançar parece uma atividade do corpo, mas do ponto de vista do cérebro é também uma tarefa de previsão. O bailarino precisa antecipar música, posição, trajetória e relação com outras pessoas enquanto corrige o movimento em tempo real. Revisões de neurociência da dança mostram que observar movimentos familiares e executar ou imaginar ações recrutam redes que se sobrepõem parcialmente. A experiência muda a forma como essas redes respondem.
Isso ajuda a explicar um fenômeno cotidiano em sala: um bailarino experiente pode 'ver' uma sequência e sentir algo sobre como ela seria executada antes de fazê-la fisicamente. Estudos de observação de ação sugerem que familiaridade motora influencia atividade cerebral, mas o efeito não deve ser transformado em mito de 'neurônios da dança' específicos. As redes envolvidas são compartilhadas com muitas outras formas de percepção e ação.
Pesquisas estruturais também encontraram diferenças entre cérebros de pessoas treinadas e não treinadas, e revisões de intervenções apontam mudanças associadas à prática. Porém, diferenças entre grupos não provam que dança causou cada característica observada. Seleção, experiência prévia, música e atividade física geral podem contribuir. Ensaios longitudinais são mais informativos para falar de mudança produzida pelo treinamento.
Para pedagogia, o valor desse campo está menos em decorar nomes de regiões cerebrais e mais em reconhecer que aprendizagem é multimodal. Ver, ouvir, imaginar, receber feedback e executar são partes de um mesmo sistema. A técnica se constrói não apenas pela quantidade de repetições, mas pela qualidade da informação que cada repetição oferece.

